A Maçonaria

Conheça um pouco mais da Maçonaria e do Rito Moderno.

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Os Inícios da Maçonaria Moderna

Os primórdios da maçonaria
moderna ou especulativa.

As questões de quando, como, por que e onde a Maçonaria se originou ainda são objeto de intensa especulação. O consenso geral entre os estudiosos maçônicos é que ele descende direta ou indiretamente da organização dos pedreiros operários que construíram as grandes catedrais e castelos da Idade Média.

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Elias Ashmole registrou sua iniciação com estas palavras:16 de outubro, 16h30 - Fui feito maçom em Warrington, em Lancashire, com o coronel Henry Mainwaring [um amigo parlamentar de Roundhead, parente de seu sogro] de Karincham, em Cheshire. Os nomes daqueles que estavam na Loja, Sr. Richard Penket Worden, Sr. James Collier, Sr. Richard Sankey, Henry Littler, John Ellam, Richard Ellam e Hugh Brewer. Esta é a primeira evidência do início de um pedreiro especulativo inglês - apesar do fato de que os presentes e os listados certamente teriam sido iniciados em uma data anterior.

A partir da década de 1660, existem mais evidências de cavalheiros sendo maçons em lojas não operacionais.

 

No dia de São João, em 24 de junho de 1717, quatro Lojas de Londres, que já existiam há algum tempo, se reuniram na Goose and Gridiron Tavern, no St. Paul's Churchyard, declararam-se uma Grande Loja e elegeram Anthony Sayer como seu Grão-Mestre. Esta foi a primeira Grande Loja do mundo.

 

Em 1723 a nova Grande Loja havia publicado seu primeiro livro de regras - O Livro das Constituições da Maçonaria - e se reunia trimestralmente e registrava suas reuniões. Ele havia estendido sua autoridade fora de Londres. Em 1725 a Grande Loja da Irlanda foi estabelecida.

 

Já em 1736 a Grande Loja da Escócia foi estabelecida. As três Grandes Lojas Domésticas começaram a levar a Maçonaria para o exterior e o desenvolvimento da Maçonaria no exterior reflete o desenvolvimento dos séculos 18 e 19 do Império Britânico.

 

Em 1751 um Grand Lodge rival apareceu em Londres. Seus membros eram maçons irlandeses que alegavam que a Grande Loja havia feito inovações. Eles apelidaram a primeira Grande Loja de Modernos e se autodenominaram Antigos. Os dois existiram lado a lado - em casa e no exterior - por quase 63 anos, sem se reconhecer como regular.

 

Mas em 1813, após quatro anos de negociação, as duas Grandes Lojas da Inglaterra se uniram em 27 de dezembro de 1813 para formar a Grande Loja Unida da Inglaterra. Essa união levou a uma grande padronização de rituais, procedimentos e regalia.

 

Em 1814, Já existiam 647 lojas. O século 19 viu uma grande expansão da Maçonaria – tanto em casa quanto no exterior e em 1900, 2.800 lojas foram estabelecidas, apesar das perdas, quando grandes lojas independentes foram formadas no Canadá e na Austrália no final do século.

Rito Moderno ou Francês

O Rito guardião do Brasil

O Rito Moderno no Brasil se confunde com a própria história do Grande Oriente do Brasil que o adotou como Rito Oficial desde sua fundação em 1822, época em que obteve do Grande Capítulo Francês a autorização para trabalhar os Altos Graus do Rito Francês ou Moderno no Brasil.

Após a fundação da Grande Loja de Londres, em 1717, a Ordem Maçônica expandiu-se rapidamente na Inglaterra e na Escócia, e no restante do continente europeu. A Maçonaria foi introduzida na França pelos britânicos por volta de 1725.  Já em 1726 era instalada em Paris, uma Loja com o nome de São Tomás, por intermédio de Charles Radclyffe, mais tarde Conde de Derwentwater (Naudon 1981) e que viria a ser, posteriormente Grão-Mestre da primeira Grande Loja de França (Bauer e Boeglin, 2002).

Essa Grande Loja a partir de 1771 se organiza e, em junho de 1773, forma o Grande Oriente de França, sendo então empossado Louis Philippe Joseph d’Orléans, Duque de Chartres, no cargo de Grão-Mestre da nova potência maçônica.

 

Nesse contexto é então criado, em Paris, no ano de 1761, o Rito que posteriormente seria conhecido com o nome de Rito Francês ou Moderno, constituído em 24 de dezembro de 1772 e, finalmente, proclamado em 09 de março de 1773 pelo Grande Oriente de França (Abrines e Arderiu, 1962). Na sua fundação, compunha-se apenas dos Graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre, adotando também as Constituições de Anderson de 1723.

Na época, havia grande paixão pelos altos graus, surgindo a cada momento novos ritos e novos graus, os quais, na maior parte das vezes, eram concedidos sem nenhum critério, bastando pagar para recebê-los.

Em virtude da pressão dos irmãos, o Grande Oriente de França se viu obrigado a procurar uma fórmula para harmonizar as diferentes doutrinas que vicejavam desordenadamente num emaranhado proliferar de altos graus, por influência da Cavalaria, da nobreza e de misticismos, que serviam à vaidade dos que procuravam a Maçonaria, desfigurando a Ordem.

Assim, o Grande Oriente de França, em sua Assembleia de 27/12/1773, nomeou uma comissão de maçons de elevada cultura para a redação de um regulamento dos Altos Graus, constituída por Bacon de la Chevalerie, pelo Conde de Stroganoff e pelo Barão de Toussaint.  O Grão-Mestre Louis Philippe Joseph pretendia coibir a proliferação dos Altos Graus; para tanto a comissão deveria compor um Rito que fosse a síntese do que houvesse de melhor.

Entretanto, nesse ínterim, o Grande Oriente encaminhou correspondências às Lojas Jurisdicionadas, comunicando que elas não poderiam trabalhar senão nos três graus simbólicos, o que acarretou que os trabalhos da Comissão fossem paralisados.

 Tal decisão encontrou enorme resistência por parte dos Irmãos da Obediência, levando a que, em 24 de março de 1776, uma segunda Comissão, composta por Guillotin, Morin, Brest de la Chaussée e Savalette de Langes fosse designada, para proceder a uma nova revisão dos Rituais e reforma dos Altos Graus.

Essa comissão também não conseguiu levar a termo os seus trabalhos, fazendo com que o Grande Oriente de França instalasse, então, uma Câmara de Graus em 18/01/1782 e que sob a liderança do Irmão Roettiers de Montaleau concluiu, em 1784, a reforma proposta.  No mesmo ano, foram aprovados os Regulamentos e Estatutos do Grande Capítulo Geral da França, responsável pela ordenação do Rito no seio do Grande Oriente de França.

Em 1786 o Grande Oriente oficializou o Rito, assim constituído:

Graus Simbólicos

1º Grau – Aprendiz

2º Grau – Companheiro

3º Grau – Mestre

Graus Filosóficos ou de Sapiência

1ª. Ordem – 4º Grau – Eleito Secreto

2ª. Ordem – 5º Grau – Eleito Escocês

3ª. Ordem – 6º Grau – Cavaleiro do Oriente ou da  Espada

4ª. Ordem – 7º Grau – Cavaleiro Rosa-Cruz

Uma 5ª. Ordem é mencionada nos documentos da época, mas ela é exclusiva do Grande Capítulo, servindo de Academia e de coordenação administrativa.

À época e no decorrer do séc. XIX, o Rito Francês designou especialmente o sistema praticado pelo Grande Oriente de França, que foi adotado em 1785 para os Graus Simbólicos e em 1786 para os Graus Filosóficos.  Com a publicação do Le Régulateur du Maçon e do Régulateur des Chevaliers Maçons, ambos em 1801, todos os graus do Rito Moderno passaram a ter seus Rituais.  Houve um período, em Portugal, no qual o Rito Moderno chegou a funcionar com o Gr∴ 8 (Kadosh Perfeito Iniciado) e até com um Gr∴ 9 (Grande Inspetor).

O Rito Moderno no Brasil se confunde com a própria história do Grande Oriente do Brasil que o adotou como Rito Oficial desde sua fundação em 1822, época em que obteve do Grande Capítulo Francês a autorização para trabalhar os Altos Graus do Rito Francês ou Moderno no Brasil.

Em 1877, o Rito Francês, que havia sido, desde o século XVIII, o principal rito praticado entre os  Franceses,  com o abandono dos princípios fundamentais da Ordem, perdeu na França a sua regularidade. Naquela data, a prática dos altos Graus do Rito Moderno na França já havia parado, por outras razões.

Em 1952 o Grande Oriente do Brasil transfere para o Supremo Conselho do Rito Moderno, conhecido na época por Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo do Rito Moderno para o Brasil a patente para trabalhar os altos Graus do Rito Francês ou Moderno, tornando assim o Supremo Conselho do Rito Moderno a única e mais antiga potência maçônica mundial a trabalhar initerruptamente, desde 1822, os altos graus do Rito Moderno.

Em 7 de agosto de 1989 o Supremo Conselho do Rito Moderno, conhecido na época por Supremo Conselho do Rito Moderno para o Brasil, emite uma patente de constituição que investe o Suprême Conseil du Rite Moderne pour la France – Grand Chapitre Français, com os mais amplos poderes para estabelecer, desenvolver e dirigir a prática em todo o território da República Francesa e até mesmo em países vizinhos, os altos graus do rito Francês ou Moderno. O Supremo Conselho do Rito Moderno fez renascer na França o Rito Francês ou Moderno.

Atualmente, no Brasil, o Rito está adotando o Gr∴ 8 -  Cavaleiro da Águia Branca e Preta ou Kadosh Filosófico (Inspetor do Rito) e Gr∴ 9 - Cavaleiro da Sapiência (Grande Inspetor), ambos pertencendo à 5ª Ordem.

O Rito Moderno, no que diz respeito aos Graus Simbólicos, é o mesmo rito que a Grande Loja da Inglaterra, a dos “Modernos”, praticava antes de sua fusão com a dos “Antigos”. A inversão das Colunas, os modos de reconhecimento no 1º e 2º graus, o início da marcha com o pé direito, a Palavra Sagrada do Aprendiz, eram práticas dos “modernos Ingleses”.

Mas não é apenas isso que distingue o Rito Moderno dos demais Ritos praticados no Brasil. Os padrões do pensamento da Maçonaria Francesa são racionais e científicos, e se prendem à época moderna, ao Humanismo.

O Rito Moderno, que é fruto da Maçonaria Francesa, entende que o maçom deve ter a faculdade de pensar livremente, de trabalhar para o bem-estar social e econômico do cidadão, de defender os direitos do homem e uma melhor distribuição de rendas. Essas tendências filosóficas humanistas é que parecem contrapor-se aos aspectos de religião cultural.

O Rito Moderno não considera a Maçonaria como uma Ordem Mística, embora seus três primeiros graus estejam impregnados da mística das civilizações antigas.

A busca da verdade, transitória e inefável, realiza-se pelo aprendiz na intuição, pelo companheiro na análise e pelo mestre na síntese, num processo evolutivo e racional.

O Rito Moderno mantém-se tolerantemente imparcial, ou melhor, respeitosamente neutro, quanto à exigência, para os seus adeptos, da crença específica em um Deus revelado, ou Ente Supremo, bem como da categórica aceitação existencial de uma vida futura; nunca por contestante ateísmo materialista, mas, unicamente, pelo incondicional respeito ao modo de pensar de cada Irmão, ou postulante. Assim, demonstra apenas a evolução das crenças, estimulando os seus seguidores ao uso da razão, para formar a sua própria opinião, e procura ensinar que a ideia de Deus resulta da consciência e que as exteriorizações de seu culto não passam de um sentimento íntimo, que se pode traduzir das mais diversas maneiras.

O Rito Moderno não admite a limitação do alcance da razão, pelo que desaprova o dogmatismo e imposições ideológicas e sendo racionalista e, portanto, agnóstico, propugna pela busca da Verdade, ainda que provisória e em constante mutação. Da mesma forma, a filosofia do Rito se opõe a qualquer espécie de discriminação.

O Rito Moderno, afinal, é um desafio que vale a pena abraçar.

(Texto de autoria do Irmão Antônio Onías Neto)